Por que os bancos estão nervosos com a Bitcoin?

Por Assessoria de Imprensa

Recentemente, tanto o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, quanto a Comissão Nacional de Valores (CVM), fizeram alertasbastante parecidos sobre como a Bitcoin pode viver uma bolha ou pirâmide. Segundo Marc-David L. Seidel, professor de finanças e empreendedorismo da University of British Columbia, existem algumas razões para os bancos e as grandes instituições de poder centralizado estarem tão preocupadas com as criptomoedas. Confira:

1) Há muito investimento e pouca compreensão: os  órgãos reguladores estão lutando para lidar com uma mudança fundamental na estrutura do mercado. Os bancos centrais nacionais estão implementando políticas para manter o controle e regular a tecnologia de confiança distribuída. O governo chinês, por exemplo, baniu diversos tipos de atividades desse segmento, e está lançando sua própria moeda digital centralizada e não-distribuída. O Japão tornou a Bitcoin um método de pagamento legal, e os grandes bancos japoneses estão planejando lançar uma moeda digital vinculada ao iene, que pode utilizar blockchain.  A Rússia inicialmente tratou os negócios feitos via moedas não-aprovadas como ilegais, mas agora está determinando como regulá-las. A verdade é que organizações poderosas e centralizadas, como bancos, governos e gigantes da tecnologia estão gastando bilhões para descobrir como usar e controlar tecnologias de confiança distribuídas.

2) As comunidades vêm sendo guiadas por voluntários: a teoria organizacional tem muito a dizer sobre essa transição. Tecnologias de confiança distribuída são dispostas em organizações comunitárias. Este tipo de formação existe desde os anos 1800, quando o dicionário Oxford foi criado por uma comunidade distribuída de voluntários. O crescimento desse formato foi acelerado por desenvolvimentos tecnológicos que permitiram a comunicação ponto-a-ponto (peer-to-peer) sem qualquer custo. O conceito ganhou foco com a mais recente mudança organizacional viabilizada pela internet, que hoje abriga diversas plataformas distribuídas de criação de informação, como o Wikipedia e o blockchain. As tecnologias de confiança distribuída estão mudando o horizonte organizacional de como a confiança é gerada e administrada, migrando ativos de instituições centralizadas para formatos descentralizados. Fundamentalmente, estamos acompanhando o início da descentralização de poder.

3) O poder está sendo equilibrado: à medida que o poder é centralizado, as oportunidades aparecem. Muitas histórias de sucesso do Vale do Silício são simplesmente baseadas em plataformas centralizadas. Elas capitalizam sobre o poder e a legitimidade de permitir interações confiáveis entre usuários. A centralização cria novas oportunidades. Assim como o Uber encontra motoristas para passageiros, o Facebook encontra consumidores para anunciantes. A centralização de poder criou uma oportunidade para a confiança distribuída. As grandes plataformas devem perder poder à medida que a confiança distribuída ganha espaço. Organizações poderosas simplesmente não serão necessárias. Mas aqueles no poder tendem a tentar se manter nele.

A Microsoft, por exemplo, enfrentou uma ameaça de mercado c com o crescimento de softwares comunitários open-source. Em comunicados confidenciais da empresa que vazaram para a imprensa foram reveladas táticas para minar essa ameaça que incluíam “medo, incerteza e dúvida”. Hoje estamos vendo respostas similares às tecnologias de confiança descentralizada. O presidente do JP Morgan, Jamie Dimon, chamou a Bitcoin de “fraude”, e afirma que os governos irão fechar “coisas criptográficas”. Ele está sendo acusado de abuso de mercado na Suécia por uma empresa chamada Blockswater, que alega que Dimon “espalha informações falsas de forma deliberada”, ou seja, que o executivo estaria usando a mesma estratégia da Microsoft.

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